sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Restores Power!

Partilho aqui mais um caso, pois estas coisas parece que até são reais. Ariel Valdés é um teólogo e biblista argentino que acaba de ser proibido pela Congregação para a Doutrina da Fé de ensinar na Faculdade de Teologia de Santiago, na Argentina, e de publicar artigos e trabalhos. Só pode celebrar os sacramentos. Ou seja, proibem-no de ser o que é: teólogo. Eu soube da notícia no blog de Xabier Pikaza (em espanhol) e escrevi um comentário no blog Anawim sobre o que penso, como estudante de teologia, destas situações (cerca de 600 enquanto Ratzinger foi o responsável daquela Congregação). Partilho aqui o comentário que deixei no Anawim:

Um teólogo pode escrever e pensar o que quiser, com as quais posso concordar ou não (tipo um grande teólogo e sobretudo missionário como Leonardo Boff, que escreveu que Maria é "encarnação" do Espírito Santo e José de Deus-Pai). Ninguém, segundo os Direitos Humanos, pode ser julgado pelo que pensa e afirma - não pode ser silenciado, só podemos escutar e concordar ou não. Uma pessoa pode sofrer uma sanção pela sociedade se faz alguma coisa que prejudique a sociedade - podemos julgar e limitar as acções, não as opiniões. Com os teólogos é o mesmo - julguemos as suas acções, julguemos o contributo pastoral que trazem, julguemos se ajudam as pessoas a encontrar o Rosto de Deus ou não! Mas é contra os Direitos Humanos retirar a um teólogo o direito de ser teólogo, ou seja, de ensinar e publicar, como acontece neste e em tantos casos!

Julguemos então as acções deste teólogo, no caso Ariel Valdés: os seus alunos gostavam dele, porque os obrigava a pensar, sem os obrigar a "comer" o que ele ensinava. Uma Universidade, por natureza, seja a faculdade de teologia ou outra qualquer, é autónoma no ensino - podem aceitar o Valdés como professor ou não, e se o aceitavam é porque é cientificamente válido, independentemente do que ensina! E isto com tantos teólogos, entre os quais latino-americanos (o caso de Boff, por exemplo): independentemente do que pensam e ensinam, é inegável o bem que traziam ao cristianismo latino-americano, sendo hoje a região do mundo mais "viva" na fé cristã. E são condenados, proíbidos de serem teólogos!

A teologia está ao serviço do aprofundamento e explicitação da fé, e mesmo no questioná-la. A teologia não serve para repetir os pronunciamentos da hierarquia. Mais que à teologia da libertação, eu defendo a libertação da teologia! E se a teologia deixa de ser "teologia" - a lógica de Deus - compete às pessoas e às comunidades julgá-la e acolhê-la ou não!Impedir um teólogo de ser teólogo é ir contra os direitos humanos, já para não falar em relação ao Evangelho.

Um grande abraço!

2 comentários:

rui disse...

Mas que imagem é esta, sr. teólogo? EHEHEHEHEHEHEH Hei-de dar-te uns links para sites com ícones e imagens religiosas que até mexem e tudo!

EHEHEH

Restores Power... O sonho de uma Igreja Bulldozer... Acreditamos que, no fim, o Espírito leva a melhor e o Abba consegue rir-se das nossas tropelias...

Obrigado por ti. SHALOM

Vida Teologal disse...

também como aluno de um curso de teologia, sinto-me compelido a comentar:

Há afirmações que ultrapassam a mera opinião. Elas tocam o cerne da verdade da Fé e também da verdade histórica. Portanto levanta-se aqui uma questão de VERDADE!

QUALQUER estudante de teologia que tenha frequentado as disciplinas de introdução à Bíblia tem a obrigação de saber que Adão e Eva não foram personagens históricas. QUALQUER Faculdade de Teologia que se preze, QUALQUER teólogo, sabem - ou pelo menos têm o dever de saberem e transmitirem - que a teologia tem um carácter interdisciplinar com as outras ciências históricas e humanas, e por isso obedece a um método interpretativo dos textos que deve ter em conta uma leitura histórico-crítica. ISSO é um FACTO incontornável, patente até nos documentos conciliares do Vaticano II.

Por isso, além desta atitude da Congregação para Doutrina da Fé revelar-se sobretudo como desumana, é também totalmente infundada do ponto de vista teológico e científico, vai claramente contra o espírito do Vaticano II, e contra a verdade. Mas pelos vistos não seria de esperar outra coisa de uma instituição romana que nasceu na Idade Média sob o nome de Sacra Congregação da Inquisição Universal, ou também mais conhecida como "TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO"!!!

Estas e outras atitudes da Cúria "pela defesa da fé" só demonstram que não lhes interessa anunciar a Verdade, mas manter vivas as superstições e o pietismo religioso que justificam a sua posição de poder, e instigaram o fundamentalismo que tantas vítimas provocou ao longo da história.

Gustavo