domingo, 14 de outubro de 2007

a Missão de conhecer, reconhecer, dar a conhecer...

Volto a partilhar convosco mais um texto de um autor importante para mim. Desta vez, trata-se do papel do teólogo, a missão de aprofundar o conhecimento de Deus que brota da Revelação e de traduzir a linguagem da Fé para o contexto actual. Partilho-o porque nesta fase da minha vida, trata-se da minha Missão principal.

Com certeza, ouvistes falar da graça de Deus que me foi dada para vosso benefício, a fim de realizar o seu plano: que, por revelação, me foi dado conhecer o mistério de Cristo. Rezai também por mim; que, quando abrir a minha boca, me seja dada a palavra, para que, corajosamente, dê a conhecer o mistério do Evangelho, de que sou embaixador em cadeias; que, nele, eu possa falar aberta e corajosamente, tal como é meu dever.(Ef 3, 2; 6, 19)

Os teólogos hão-de ser homens de oração, em linha com os profetas do Antigo e Novo Testamento. Devem aprender constantemente a rezar na comunidade de fé com os simples a quem Deus manifesta os seus segredos.

Devem empenhar a sua vida no estudo; queimar de vez em quando as suas conferências para fazê-las de novo; mostrar-se sempre dispostos a aprender de outros, manter contactos com a comunidade teológica, especialmente com a Sagrada Escritura, com a Tradição da Igreja e com o magistério. Devem aprender também a retirar conclusões das ciências humanas, porque a teologia adquire vitalidade constante desta tríade: conhecer a Deus em Jesus Cristo, conhecer em Jesus Cristo o Homem na sua realidade histórica; finalmente, aprender a orar.

Tal como os detentores do magistério e os seus colaboradores imediatos, todos os teólogos hão-de estar sempre atentos à pureza das suas intenções; tudo para a maior glória de Deus e para a salvação do Homem…


Podem pecar gravemente e manchar a teologia por maldade ou arrogância; podem fechar a porta à verdade se praticam o carreirismo, perseguindo a promoção e os lugares de honra perante a condenação do Senhor. Estes pecados podem institucionalizar-se, como sucede com os pecados que tentam “encarnar-se” na história, nas estruturas, etc. Um teólogo, ou um grupo de teólogos fazem-se inautênticos, quando se deixam intimidar e optar por repetir enunciados “não perigosos” para evitar sofrer pela verdade.

Os teólogos tornam-se inúteis e inautenticos não só por maldade, senão também quando se deixam roer pela tristeza, e em vez de anunciar com gozo a Boa Nova, lutam com ressentimento e amargura pelo seu próprio interesse.

Um teólogo pode, igualmente, trair a Igreja e a Verdade, quando “por obediência” nega a sua consciência e os seus princípios, tal como quando, por arrogante desobediência, opta por fazer solitariamente o seu caminho. Igualmente quando a rivalidade pode parecer inevitável; só na Paz de Cristo se pode ser autênticos na vida, no estudo e no ensinamento.



Bernard Haring cssr, (1918-1992), Mi experiência com la Iglesia, redentorista alemão, teve um papel fundamental na renovação da teologia moral no século XX, descobrindo um rosto mais evangélico, humano e livre da moral cristã.

um grande abraço

2 comentários:

anawîm disse...

Rui Pedro... agradeço profundamente esta tua partilha!...

Sete & Soraia disse...

gostei deste post...
por muitas razoes, uma delas foi por perceber um pouco mlhor o que faz um teologo, ou melhor o que vive e de que jeito!

pouco ou nada sabia sobr este "culto" ehehe =P

sabia da opressao que sobre eles existia n sabendo muito bm o que de perigoso diziam...

e ficou obvio o porque de tanta recriminaçao, porque anunciar uma Vida com riscos em tudo diferente da vida tranquila para saborear uma Vida de Felicidade, n é do agrado de todos...

aqui deixo o meu muito obrigado por todos os profetas que se alimentam da palavra de Deus e que dao esta a comer a todos =)