segunda-feira, 18 de julho de 2011





Graças a Deus que, no Evangelho de Mateus como nos restantes Evangelhos, Jesus nos é apresentado como uma pessoa bastante sensata.

Desde as primeiras páginas do livro do Génesis a realidade humana é constatada com as dinâmicas, ou antes, com os bloqueios e rupturas do mal, do sofrimento, das limitações. Em linguagem bíblica, do pecado, vivido precisamente como ruptura de Aliança, como negação do sentido da humanização. Desde Adão e Eva que, de desejados um pelo outro (sobretudo a segunda pelo primeiro, o texto bíblico é inteligente:) passam a indesejados («a mulher que trouxeste para junto de mim»), a ruptura assassina entre irmãos, Caím e Abel, até às absolutas necessidades de renovação com Noé e depois com a torre de Babel, vemos a história humana marcada por este joio...
E, ao mesmo tempo, vemos a persistência, a paciência, a fidelidade, quase a constante teimosia, perdoe-se a repetição, aliada à sussurante presença de uma Palavra que renova a Aliança com a Humanidade, e a renova em figuras concretas, em pessoas concretas como Abraão e Sara, os Patriarcas, etc...
E mesmo essa Aliança, renovada em pessoas que não são, de modo nenhum, exemplos perfeitos e puros de humanização, desde o homicida Moisés ao adultero David...

E é nesta História que passa, pelo meio de nós, este Filho, que passa para permanecer, que passa para se misturar, seja entre as filas de todos os que vão ter com João Baptista ao Jordão, seja nas multidões onde é tocado por uma mulher em hemorragia ou onde é visto e onde vê Zaqueu no cimo de um sicómoro...

E graças a Deus, é nesta condição de uma História, de uma Humanidade marcada por dinâmicas e por rupturas, por projectos e por bloqueios, por relações e por confrontos, por encontros e por isolamentos, que somos inseridos numa Salvação que nos ultrapassa; é nesta condição de pessoas em construção, de histórias em construção, de relações e projectos em construção, que somos inseridos numa Família Filial e Fraternal cujo Anfitrião é o Filho. É este, talvez, o segredo do Perdão...

Este Filho, Jesus de Nazaré, a quem admiro muito pela sua sensatez, talvez até pela sua humanidade: só uma pessoa verdadeiramente humana é capaz desta sabedoria de não querer arrancar o trigo do joio para não levar os dois, porque ainda não é o tempo próprio. Espero descobrir, ao longo da minha vida, esta sabedoria, esta aprendizagem...


Um grande abraço!

2 comentários:

Voz da Igreja disse...

Prezado Rui,

Excelente reflexão!

O Mistério de Deus é maior do que o nosso intelecto, maior do que nossas capacidades, maior do que nós mesmos. Por isso, nós não podemos compreender Deus e seus desígnios. Tudo o que o homem pode e deve fazer é buscar se moldar à Vontade Divina, e adorar seu Criador e Salvador, que o ama incondicionalmente.
(Pe. Luiz Paulo de Souza)

Nestes dias de necessária união entre os católicos, estou linkando o ECONOMIA DA SALVAÇÃO em meu blog, e venho humildemente pedir também a inclusão do meu blog em vossa lista de links:

www.vozdaigreja.blogspot.com

Abraço fraterno, e a Paz de Cristo seja sobre a sua vida!

Henrique Sebastião

romeu disse...

sempre a caminhar para nos tornarmos mais Homem.

um abraço