sexta-feira, 2 de novembro de 2007

a vida de Jesus e a experiencia pascal dos discípulos - é preciso lata!


É fundamental procurarmos hoje as raízes da nossa Fé e da nossa vida como discípulos de Jesus. Numa época em que já não se é naturalmente cristão ou crente e questiona-se – com todo o direito – afinal porquê e para quê ser cristão, a nossa Fé já não pode depender de teorias ou fórmulas que aprendemos na catequese, mas de uma experiência de vida profundamente alicerçada no caminho da Palavra no Espírito.

São dois os acontecimentos históricos fundantes da dinâmica da Igreja, do discípulado de Jesus no mundo: a própria vida histórica de Jesus, as suas palavras e acções, a sua missão, e a experiência pascal dos Apóstolos que os leva a continuar essa missão anunciando o Evangelho em Israel e no mundo então conhecido. É destes dois acontecimentos que brota uma novidade radical, que caminha no meio da história humana e a chega até nós hoje.

A vida de Jesus marca profundamente a vida de Israel no primeiro século. Jesus é um pregador itinerante como tantos outros no seu tempo. No entanto, o seu anúncio, livre de todas as tradições rabínicas e alicerçado nas Escrituras, sobretudo nos Profetas, chama a atenção. Anuncia um rosto diferente de Deus, chamando-o Abbá, Papá, pleno de misericórdia e perdão. Com todos os que se encontra é uma presença marcante, de libertação para os pobres e oprimidos, de marca profética para os fariseus e poderosos. Anuncia o Reino de Deus como – imagine-se! – já presente e a emergir na história, o Reino que Israel esperava há séculos, o Reino que seria a plena soberania de Deus na história; Jesus anuncia-o – a intervenção salvadora de Deus na história humana está já a acontecer! Adiram, entrem em comunhão com ela, abraçando a vida nova do Reino!

O mais escandaloso ainda é que Jesus centra em si próprio como o início desta dinâmica do Reino – é nele que o Pai intervém no Projecto Humano levando-o a pleno cumprimento. Jesus rejeita as esperanças messiânicas do seu povo de género nacionalista e político – como rejeita estas noções para o Reino de Deus. No entanto, não aponta para outro esta intervenção, mas aponta para si como o cumprimento de todas as promessas! É preciso lata…

A vida de Jesus e a sua missão, como o seu anuncio do Rosto do Abbá e do Reino. Outro acontecimento histórico marcado pela novidade, outro kairós, foi a experiência pascal dos Apóstolos: homens que, como narram os evangelhos sem vergonha nenhuma, abandonam a Jesus diante da Cruz, em Jerusalém, estão, passados poucos dias, a anunciar no centro da cidade, perante todos, que Deus tomou partido por aquele homem, que o Reino está já acontecer e que têm de aderir a ele – o mesmo anuncio de Jesus! Olhamos ali por volta do ano 30 d. C. em Israel, e vemos algo a nascer, a emergir, a espalhar-se até chegar a Roma e a todo o império, e até todo o mundo: a dinâmica dos discípulos de Jesus, que anunciam que está vivo, e que o Reino de Deus está a emergir. É preciso lata também…

No centro destes dois acontecimentos históricos marcados de dinamismo está um mistério que os explica e plenifica: a Ressurreição de Jesus. É aqui que radica de facto a novidade cristã! A Ressurreição ilumina a vida e anuncio de Jesus e inaugura a dinâmica salvadora do Reino como cumprimento de todas as promessas de Deus à Humanidade. A Ressurreição de Jesus reconhece-o como o Messias esperado. A Ressurreição de Jesus está no coração como força emergente da experiência pascal dos discípulos – o reconhecimento da parte deste que o mesmo Jesus que conheceram e com quem viveram está agora presente de um modo novo junto deles, que saiu da morte vencedor pela acção de Deus-Pai.

A Ressurreição de Jesus ilumina estes dois acontecimentos históricos fundantes e dá-lhes de facto um carácter universal que chega até nós hoje e é capaz de mudar as nossas vidas. Isto porque a Ressurreição de Jesus não é já um acontecimento só de há dois mil anos: a Ressurreição de Jesus é o processo de emergência e geração do Filho Eterno na história, que entra na história humana como uma relação divina eterna, assumindo todos os homens em si no acolhimento do Amor Eterno do Abbá. A Ressurreição de Jesus é a presença e permanência plena do Espírito Santo na história humana, não só em certos momentos, mas como dinâmica histórica – como economia.

Aprofundarei e partilharei aqui de modo mais explicito esta Boa-Nova que está na raiz da nossa vocação cristã. A Ressurreição de Jesus é a dinâmica de emergência do Filho Eterno como presença salvadora no seio dos homens desde a Encarnação; a Ressurreição de Jesus é a universalização desta presença a toda a história universal humana, chegando até nós hoje, e que anima e produz a dinâmica da experiência pascal, do reconhecimento que os discípulos de Jesus fazem deste – até chegar a nós hoje, pelo seu anúncio.


Um grande abraço

1 comentário:

Vasquinho das couves disse...

É preciso mesmo muita lata e olha que ainda não havia coca-cola...eheh