quinta-feira, 27 de março de 2008

a experiencia da Paz...

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.» (Jo 20, 19-23)

A Experiência Pascal dos Discípulos, de reconhecimento da Presença de Jesus Ressuscitado, é sempre uma história comunitária. Acontece de modo único e pessoal em cada discípulo, no seu encontro e na sua história de relação com Jesus, como vemos em Tomé, Maria Madalena, Pedro…; mas parte, germina, amadurece e dá frutos em contexto comunitário.
Nesse contexto, os discípulos experimentam a presença de Jesus como uma presença de Paz: a Paz é a grande Mensagem de Jesus Ressuscitado aos seus discípulos, a Paz que vence as portas fechadas do medo, da desilusão e da morte. A Paz, o Shalom bíblico, é a vida recheada dos dons e das bênçãos de Deus; o verdadeiro Shalom, na esperança bíblica, seria inaugurado no Reino Messiânico; no Shalom, o Povo chegaria definitivamente à Terra Prometida, “onde corre leite e mel”. O Shalom é a grande esperança dos discípulos, a esperança de Israel.
Os discípulos reconhecem em Jesus Ressuscitado a inauguração da Paz, do Shalom, da Plenitude da Bênção e dos Dons de Deus ao seu Povo. A presença de Jesus nas suas vidas é uma presença de Paz, de plenitude que sacia todas as fomes e sedes em abundância, como ao Povo na travessia do deserto; por isso Jesus vai dizendo, ao longo do Evangelho de João: “eu sou o verdadeiro Pão descido do Céu” (cf. Jo 6, 35) e “quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede” (Jo 4, 14).

Pessoalmente, reconheço nessa Paz que os discípulos vão descobrindo na presença comunitária de Jesus Ressuscitado:

A experiência do Sentido: o absurdo da morte violenta de Jesus, o inocente por excelência, deitou por terra todas as esperanças dos discípulos no seu seguimento; agora, pela experiência de que Deus tomou partido pela vida daquele Crucificado, que pode mostrar as suas mãos e o seu lado trespassados na Cruz, torna-se nos discípulos uma fonte de Sentido novo: a causa do Reino, a causa da Justiça e da Verdade, a causa da Humanização e da vida entregue por Amor vencem todos os inimigos, a injustiça, o pecado, o homem velho, até a morte. Então, as suas vidas de discípulos são reivindicadas na reivindicação da própria vida de Jesus.
A experiência do Perdão: sim, é àqueles discípulos que o Ressuscitado se faz Presente, aqueles Ausentes na hora da Cruz, cujo rosto principal é Pedro! Os discípulos reconhecem a Presença de Jesus no seu meio, apesar de todas as traições, incompreensões, recusas em acreditar… Sem dúvida, os discípulos experimentam esse perdão que é a vitória de Jesus Ressuscitado sobre eles próprio, sobre o seu homem velho, sobre as suas recusas e o seu pecado… Apesar de tudo isso, o Ressuscitado continua a fazer-se Presente com a sua Paz.

A experiência da Missão: a nova Missão a que os discípulos se sentem chamados faz parte da sua própria transformação e libertação – eles são incluídos neste Projecto de Deus realizado em Cristo que é o Reino! Reconhecem a presença de Jesus Ressuscitado como o envio numa Nova Missão, e as suas vidas inserem-se nessa Missão, a Missão é a sua própria Vida! São eles agora os anunciadores da Salvação e do Perdão Universal que se inauguram em Cristo, o seu Mestre.

Esta Paz que abraça a vida dos Discípulos na Experiencia Pascal, experiencia de Sentido, Perdão e Missão, é uma experiência de verdadeira re-criação, re-nascimento, re-ssurreição! É o Espírito Santo, o Espírito do Pai, Espírito da Vida que é Soprado de novo, como em Gen 2,7, em Adam… É o Espírito que intercede e defende os discípulos, como o seu Paráclito.

Ajuda-nos, Jesus, vivo e presente entre nós, a reconhecermos a tua Presença nas nossas vidas de teus discípulos, como Presença da Paz que plenifica, que nos vai plenificando no novo Sentido, no novo Perdão, na nova Missão, sempre, de novo…
um grande abraço