terça-feira, 6 de maio de 2008

no básico do nosso dia-a-dia...

Andando por aqui a preparar um momento de oração no próximo sábado à noite, na festa do Pentecostes, dei-me com esta dificuldade: é que não queria andar a repetir palavras e mais palavras quanto à presença do Paráclito, o Espírito Santo enviado do Pai! A sua presença e acção, a sua liberdade, a sua magia, a densidade da linguagem que fala, que é a linguagem do Amor e da Pessoalidade, tudo ultrapassa as palavras, e ao mesmo tempo parece que as torna inúteis…

A linguagem mais fiel para falar desta presença de Deus no seu Espírito é a linguagem que o Povo Bíblico utiliza: a linguagem simbólica. A experiencia bíblica da acção de Deus pelo seu Espírito é uma experiencia concreta, prática, vital! É a Água na qual nascemos, bebemos e mergulhamos; é o Fogo pelo qual vivemos e nos alimentamos; é o Ar que respiramos; é o Óleo pelo qual curamos as nossas feridas, e fortalecemos os nossos músculos, e marcamos como propriedade; são as manifestações de alegria e de vocação no seio das comunidades que Paulo testemunha nas suas cartas…

Mas estes Símbolos, evidentes para um povo de uma cultura da Antiguidade, pré-cientifica e pré-tecnológica, já não são evidentes para nós! Quantas vezes nos damos conta da necessidade vital que temos da água, do fogo ou do ar? O que significa a Água para um Povo que nasce e vive no Deserto? O que significa beber das águas refrescantes após uma longa caminhada, ou lavar os pés, ou mergulhar nalgum rio? E o Fogo, companheiro básico para todas as necessidades dos povos ancestrais? E o Ar, para um povo onde morrer não era morte cardíaca ou cerebral, mas simplesmente deixar de respirar?

Já nós somos de uma cultura em que tudo está dentro de embalagens, canalizações, em que não temos de nos esforçar ou dedicar tempo a obter a água e o fogo, somos do tempo da racionalidade, em que fica mal exprimir emoções, sentimentos, espontaneidade…

Espiritualizamos demais a relação de Deus connosco! Tornou-se algo exterior, adicional, de tempos livres, de opiniões de “fé” ou de uma moral de “boas acções”! A água sai-nos pela torneira, o fogo está no clic do interruptor da luz ou do disco do fogão, não respiramos porque não paramos! Levamos tudo para as ideias, as razões, os discursos!

E o Espírito a actuar, sempre presente,
nas coisas tão básicas e vitais que nos esquecemos delas…
E chega de palavras!
um grande abraço

1 comentário:

Rui disse...

Não, não chega de palavras! Destas, não chega, não.

Porque "palavras" assim não são palavras. Não sei o que são, mas nao são "palavras". São outra coisa qualquer que sai de dentro de ti.

Muito Obrigado por isto!!!