sábado, 6 de dezembro de 2008

o Seu Filho Unico...

«Porque um Menino nasceu para nós,
um Filho nos foi dado…»
(Is 9,6)

Deus é Amor. E o Amor de Deus manifestou-se desta forma
no meio de nós:
Deus enviou ao mundo o seu Filho Unico,
para que, por Ele, tenhamos a Vida.
(1Jo 4,8)

O seu Filho Único… Estás a ver o que significa dizer: Único. Filho Único. Para um Pai, um Abbá, o seu Filho, o Filho Único, é tudo o que tem. É tudo para Ele. Tudo. Não fica mais nada. Para um Pai, o seu Filho é tudo.

E é esse Filho Único do Pai, «que está no Seio do Pai» (Jo 1,18) que nos é dado. Enviado ao mundo, Enviado. Para que por ele tenhamos a Vida. Pela vontade do Pai: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3,16). De facto, diz João: «Tanto amou Deus o mundo…» e continua: «Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele» (Jo 3,17). Não um Deus que condena, que se separa e desiste deste mundo, desta História, desta Humanidade. Um Deus que «tanto ama o mundo»…

Todo o Novo Testamento parte do encontro com Jesus e da Experiencia Pascal da sua Ressurreição. É um Acontecimento que está por detrás de tudo, um Acontecimento que marca a vida dos discípulos, um ponto na sua vida de mudança, de viragem. Como um novo nascimento: «Vós tendes de nascer do Alto» (Jo 3,7). Jesus. Aquele Homem, a sua Missão, o que Deus faz acontecer n’Ele, por nós.

A partir da Experiencia Pascal, em contexto comunitário e celebrativo, os discípulos vão aprofundando a sua compreensão do mistério de Jesus. Da sua vida e missão. O que acontece n’Ele, em Jesus, por nós, revelado e inaugurado de modo pleno na sua Ressurreição, não vem de nós. Não acontece pelas nossas conquistas, capacidades, esforços. Vem de Deus. É escolha, Eleição de Deus. Só Deus pode gerar na história um Homem assim, e gerar n’Ele uma salvação assim para nós. Como só Deus podia libertar o Povo do Egipto, ou dar uma descendência, um Povo a Abraão.

Dizer que é Deus que suscita um Homem assim, Jesus, para nós, significa dizer que n’Ele acontece um mistério de Eleição, de Missão, de Encontro. Com Deus. Por isso o Novo Testamento lhe chama o Enviado, o Ungido ou o Cristo. Ungido pelo Espírito Santo, na tradição dos profetas e das grandes personagens bíblicas. Mas é mais que um Profeta. Os discípulos têm isso claro: é mais que um profeta. É o Ressuscitado. O Senhor. O Salvador, ou o Mediador da Salvação para nós. N’Ele acontece um Dom pleno, um Dom total de Deus para a Humanidade. A Ressurreição.

Bom. O que tento exprimir é isto, deixemo-nos de rodeios: para o Novo Testamento, estou convencido disto, o mistério que acontece em Jesus na sua Ressurreição é tão grande, tão grande, que nos atira para o melhor. O melhor de Deus. Um mistério tão grande! Um mistério de total, plena doação de vida, entrega de Vida, de Amor, de Fidelidade. Como um Pai para o seu Filho. Filho Único. Total, plena entrega de Vida e Amor. De um Pai para um Filho.

E depois o Novo Testamento dá a queda, o derramar-se, o descair-se totalmente: deu-nos. Enviou-nos. Por nós. Para nós. Para Salvar o mundo, a História, a Humanidade, para lhe inaugurar num gesto de Aliança total a sua Plenitude, a sua Vocação máxima, total. A Ressurreição, a plena comunhão Eterna e Filial com Deus. O Seu Filho Único. Unigenito. Tudo para Ele, Tudo para o Pai. Um Todo, um Amor total e pleno no qual somos abraçados e gerados na fecundidade… do Espírito Santo, «Amor de Deus derramado nos nossos Corações» (Rom 5,5), pelo qual podemos clamar, como o Filho, Abbá, Pai (Gal 4,6).

O Novo Testamento proclama um mistério de Salvação tão pleno e total que se revela como a Relação plena e total de um Pai para com um Filho. Um Amor total, eterno, chamado Espírito Santo. Um Mistério de Amor e Comunhão que acontece para nós, que se abre a nós, a esta Humanidade que somos, entrando, encarnando na nossa História, neste Rosto que amo, chamado Jesus de Nazaré. Um Amor de Pai e de Filho no qual somos abraçados, gerados, assumidos. E todos, e cada um de nós, pertence a este Mistério de Amor. Total, Pleno. De um Abbá que nos ama, a cada um de nós em comunhão, como ao seu Único Filho. Ao seu Tudo. Que é para nós, que somos nós.

Palavras…

Um grande abraço!

3 comentários:

Mila disse...

Vou ficando mais esclarecida!...

Obrigada Rui Pedro, estou a gostar muito!

Anónimo disse...

Obrigado por este teu crescimento e por estares a ajudar tanta gente a crescer na fé.
Calmeiro Matias

figlo disse...

Amanhecemos cada dia, com a certeza de que é esta Humanidade, e não outra, a que está talhada para o Amor e para a perfeição...
A singularidade de cada um de nós, o caminho de Verdade que cada um se dispõe a percorrer, farão esta Humanidade caminhar para uma maior semelhança com o rosto de Deus Pai, mostrado pelo Filho, mas, palpado em cada homem e mulher, que, em voz alta ou silenciosamente pede que nos aproximemos...Obrigada ,Rui! Glória